A POSIÇÃO TEOLÓGICA DO PADRE OLIVIER RIOULT
- Yuri Maria
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Tradutor do texto: Elvira Mattoso, o site o recolhedor.
Descrição: Carta-resposta do Padre Olivier Rioult ao sr. Yuri Maria, esclarecendo sua posição teológica.
Padre Olivier Rioult, dezembro de 2025.
Uma mãe me fez, há algum tempo, uma observação que podia ser também, em parte, uma censura justificada — pois eu não penso em tudo e não sei tudo. Essa censura se devia por eu não anunciar as primeiras comunhões das crianças nesta capela. A mãe me dizia que [anunciar] isso era bom para unir os fiéis que aqui estavam, como se fosse em sua paróquia, e porque havia indulgências reservadas para essas circunstâncias. De fato, a Igreja concede uma indulgência plenária nas condições ordinárias (estado de graça e isenção de todo pecado venial; ter a intenção de ganhar a indulgência; cumprir a obra prescrita) para aqueles que se aproximam pela primeira vez da sagrada mesa e para aqueles que assistem à primeira comunhão. Portanto: aviso a Philomène Barge e a todos vós que assistis ao ofício que podeis ganhar hoje esta indulgência: a remissão de toda a pena devida por todos os vossos pecados.
Eu dizia que a censura era em parte justificada em razão desse segundo ponto. Mas parecia-me injustificada quanto ao primeiro ponto. Nós não somos uma paróquia, nem uma quase-paróquia, nem nada disso. Esse ponto nos dá a ocasião de fazer, por nossa vez, uma importante e delicada observação. Não somos uma paróquia porque eu não sou o vosso pároco. A lei da Igreja, para cumprir o preceito dominical, obriga os cristãos a assistir à missa em sua paróquia. Segundo o direito canônico, não tenho nenhuma jurisdição sobre vós. E vós não tendes, portanto, nenhuma obrigação de assistir à missa nesta capela, assim como não tendes numa capela da FSSPX ou do IMBC.
Para usar uma imagem de guerra: sou apenas um oficial perdido de um exército em debandada. Vós sois também soldados perdidos de um exército em debandada. E, como acontece frequentemente nesses casos, alguns soldados colocam-se sob o comando de um oficial que as circunstâncias colocaram em seus caminhos. Mas compreendeis bem que estas circunstâncias são extraordinárias. Estamos cortados da linha de comando. O quartel-general está inacessível. Tal coronel morreu, outro se encontra prisioneiro. Pior: um general traiu e o próprio governo do nosso país está ocupado pelo inimigo. Em suma, não somos mais um exército, mas um resto de exército. Juntos, tentamos sobreviver. É tudo. Nem mais, nem menos. De modo que sou apenas um eremita que não se recusa a prestar alguns serviços.
Portanto, não somos uma paróquia e, segundo o direito, deveríeis santificar o domingo em vossa paróquia. Não o fazeis porque vivemos uma situação religiosa absolutamente inédita. Roma já não é mais Roma. As pretensas autoridades católicas pactuaram com o inimigo herético. Mas o que dizer do Papa? Essa é a grande questão que nos perturba. Como explicar teoricamente o que vivemos na prática? Penso que, por ora, não temos a possibilidade de resolver perfeitamente essa dificuldade.
Somos um pouco como a cristandade do século XV, que se encontrava na impossibilidade de dizer com plena certeza se tal ou qual pessoa era ou não papa.
Em 1409, durante o Grande Cisma, alguns afirmavam que o verdadeiro papa era o de Roma (Gregório XII); outros, com outros argumentos, concluíam a favor do de Avignon (Bento XIII); e outros, com ainda outros argumentos que tinham o seu valor — pois contavam com cardeais dos outros dois campos — concluíam a favor do de Pisa (Alexandre V). Ainda hoje, não se tem certeza alguma sobre o que se passou. A única certeza é que, com Martinho V (1417), a Igreja não teve mais dúvidas quanto ao seu pontífice legítimo. A crise do Grande Cisma passou.
Apesar disso, como em todas as épocas, encontram-se cristãos que fazem o seguinte raciocínio: segundo minhas luzes, a resposta correta é tal; e como é a resposta correta, todos devem aderir a ela. O sofisma é uma enormidade, mas recorrente: “Eu penso que a verdade é tal, logo esta é a verdade”. Esses cristãos esquecem as paixões, a ignorância, os preconceitos e os erros de raciocínio. Para convidar à prudência, lembremo-nos do grande São Bernardo, doutor da Igreja e grande devoto de Nossa Senhora, que escreveu uma carta de censura aos cônegos de Lyon porque eles haviam sustentado a tese da Imaculada Conceição de Maria. O grande São Bernardo estava errado; somente o juízo da Igreja é infalível. Lembremo-nos do grande São Cipriano, mártir, que, como bispo de Cartago, escrevia ao seu clero, com inúmeros argumentos muito convincentes retirados da Sagrada Escritura, que era necessário renovar o batismo conferido por um herege. O grande São Cipriano estava errado; somente o juízo da Igreja é infalível. E a Igreja deu razão contrária a São Bernardo e a São Cipriano. Essa dificuldade não impede que se tenha uma opinião e que ela seja defendida, mas não a ponto de fazer dela um sinal de catolicidade. São Vicente Ferrer era por Avignon; Santa Catarina de Sena era por Roma!
Minha opinião, que compromete apenas a mim, é que Francisco não pode ser papa no sentido pleno do termo.
Francisco é um monstro, um traidor que pactua com os inimigos da fé e destrói a unidade católica. A melhor imagem, a meu ver, é a do Apocalipse: o falso profeta tem os chifres do cordeiro, mas a linguagem do demônio. Ele tem a aparência a seu favor, não a realidade. Como o seu agir é contrário à fé católica ensinada por seus predecessores, recuso-me a citá-lo no cânon da missa com “todos aqueles que professam a fé ortodoxa, católica e apostólica”. (Cf. A Igreja e a Apostasia).
Mas, sobre essa questão do papa herege, existem diversas opiniões contraditórias e irreconciliáveis sustentadas por dignos teólogos católicos. Nenhuma foi condenada ou ensinada com autoridade: portanto, todas são livres, mesmo aquela que eu pessoalmente não aprovo. Alguns entre vós ficaram perturbados porque convidei um padre que pensa, como certos teólogos antigos — o Cardeal Caetano em particular —, que o papa herege deponendum sed non depositum (deve ser deposto, mas não está deposto). Para esses, isso era inaceitável, pois seguiam a opinião contrária de São Roberto Belarmino: papa hereticus depositus de facto (o papa herético está deposto de fato). Embora eu mesmo siga a opinião de São Roberto Belarmino, recuso-me a deixar de considerar como católico aquele que segue a opinião, talvez até errônea, de Caetano. Outros entre vós, ao contrário, ficaram perturbados porque convidei um padre ou um bispo sedevacantista do IMBC, pois para eles essas opiniões são falsas.
Embora eu me incline mais para a solução sedevacantista e para a tese de Dom Guérard des Lauriers, assumida hoje pelo IMBC, considero que nossa situação está teoricamente em um beco sem saída. Pois nenhuma das soluções hoje propostas é competente e absolutamente satisfatória. Considero ter escolhido a “menos pior”, tanto na teoria quanto na prática. Mas é perfeitamente possível que estejamos enganados, como São Bernardo ou São Cipriano.
Três posições são possíveis:
1. A legalidade aparente: paróquia, missa de Paulo VI, e cooperação com todos os desvios modernistas. Inaceitável!
2. A resistência à legalidade: reconheço o papa, mas resisto a ele. João Paulo II é papa, mas é um anticristo (Dom Lefebvre). Essa posição da FSSPX/Dom Lefebvre é insustentável. Segundo essa opinião, um verdadeiro papa da Igreja Romana poderia promulgar más leis para a Igreja Universal, canonizar santos escandalosos, ensinar um magistério defeituoso, promover um culto que favoreça a heresia, validar sacramentos duvidosos e praticar um modo de governo que empurre os católicos à apostasia. Nenhum documento do Magistério pode corroborar essa tese.
3. A catolicidade fora dessa falsa legalidade: é a tese sedevacantista. Tal pontífice é herege e está fora da Igreja. Não se deve obedecer a ele. Deve-se fugir dele como da peste. Mas a dificuldade não reside na afirmação disso, que parece corresponder bem à realidade, mas nas consequências insolúveis que isso gera. Desde Paulo VI, não haveria mais jurisdição. Isso coloca certos problemas de permanência e visibilidade da Igreja (de direito, não de fato). Outro problema: “Quem é o verdadeiro cristão? O verdadeiro cristão é aquele que é batizado, que crê e professa a doutrina cristã e obedece aos pastores legítimos da Igreja” (Catecismo de São Pio X). Certamente, padres formularam explicações teológicas, mas nenhuma goza de autoridade suficiente para obrigar nossas consciências. Além disso, dizer que “Roma perderá a fé e se tornará a sede do anticristo” (Mensagem de La Salette) é usar a retórica dos protestantes do século XVI…
Estamos, portanto, em um aparente círculo vicioso no qual, qualquer que seja a escolha feita para defender um dogma de fé, parece-se contradizer outro dogma de fé. Para manifestar esse círculo vicioso, tomarei os próprios termos usados por São Luís Maria Grignion de Montfort para refutar os hereges de sua época: “A Igreja Romana, ou aquela que reconhece o papa como sucessor de São Pedro, é a verdadeira Igreja porque tem a verdadeira marca, que é a perpetuidade sem interrupção desde Jesus Cristo até hoje”: (FSSPX/Sedevacantista): “A Igreja Católica é a verdadeira Igreja pois, se tivesse caído no erro como pretendem, as portas do inferno teriam prevalecido contra ela, o que é diretamente oposto à promessa de Jesus Cristo”.
Para sair dessa contradição aparente, são necessários raciocínios e distinções. Ora, apenas a autoridade suprema da Igreja pode validar esses raciocínios com infalibilidade. Eis por que estamos em um beco sem saída momentâneo, como estava a cristandade do século XV durante o Grande Cisma. Penso que nossa situação só se explica pelo fim dos tempos, que espero esteja próximo. Mas não posso afirmá-lo nem com certeza, nem com autoridade. É preciso aprender a viver sem ter todas as respostas às nossas perguntas (humildade/paciência). Fazer o melhor possível.
Esperar o retorno de Cristo a este mundo apóstata e sepultado nas trevas da mentira. E não cessar de clamar: “Jesus, Mestre, tende piedade de nós!”.